EN PT
+55 11 5571-2525

Viajante Cia Eco

Luiz Antonio e Leonor Moschini

Amazônia e Reserva Cristalino

1- O Trajeto até Cuiabá, o avião até Alta Floresta funcionou conforme programado. Um ligeiro atraso de 1 hora no vôo que não chegou a comprometer o planejamento original;

2- O desembarque de bagagens no aeroporto de Alta Floresta, sem esteira é uma verdadeira praça de guerra. Ficamos um pouco preocupados, mas tudo acabou bem. Fomos recebidos por um simpático motorista, Sr. Nelson que conduzia uma PickUp 4x4. O trajeto até o Rio Teles Pires, onde pegamos um barco, foi tranqüilo e prazeroso. Cerca de 50 km. Fomos papeando com o Sr. Nelson que nos contava como foi o desbravamento da região pelos colonos vindos do Sul. O trajeto alterna pastagem e Florestas densas, a estrada é de terra batida e estava bem conservada;

3- No rio Teles Pires baldeamos para uma embarcação de alumínio onde foi acomodada toda a nossa bagagem. Fomos recebidos pelos nossos mentores Benedito (Benê) e Francisco. A medida que nos locomovíamos eles iam nos explicando as aparições. Deixamos o Rio Teles Pires e entramos no Rio Cristalino, um show a parte. Fomos recebidos por Jacutingas, Biguatingas, Garças Reais e Araras Canga. Desembarcamos no Lodge Cristalino no finalzinho da tarde, conforme programado;

4- O Lodge é um espetáculo, ficamos num bangalô com um conforto raramente disponível nas regiões mais civilizadas do país. Bangalô todo envidraçado até o rez do chão, cama enorme, banheiro com lavatório e chuveiro separados do sanitário. Muito limpo, arejado e com um visual incrível. Os Bangalôs ficam longe das áreas de serviço. Existem caminhos iluminados que conduzem os poucos e privilegiados hospedes até a biblioteca e restaurante;

5- Embora já um tanto desgastado o restaurante é extremamente agradável. Lembra um rancho onde todos se reúnem (Guias e Hóspedes para comentar seus “Achados”). A responsável pela cozinha, Luciana, logo se apresenta e puxa um agradável papo. A comida é farta e variada, tempero caseiro;

6- A energia elétrica é fornecida por geradores diesel, assim às 22:30 o gerador é desligado. Nas acomodações existem velas, mas é recomendável levar lanternas para imprevistos. A falta de energia não compromete, pois a jornada diária tem início as 04:00 e a está hora todos estão mortos;

7- O dia começa por volta das 4:00. Ainda no escuro percorremos o trajeto até o refeitório. Um café com bolos e frutas e logo partimos para as torres de observação. Para chegar às torres é necessário percorrer a mata ainda no escuro. Benê vai na frente ouvindo atentamente os sons da floresta e identificando os primeiros pássaros. O Hotel tem duas torres com mais de 50 metros de altura. As torres são construídas em aço galvanizado e inspiram bastante segurança. Para que não é acrofóbico a subida é tranqüila. Chegamos ao topo a tempo de apreciar o nascer do sol. As primeiras luzes nos brindam com as árvores ainda envoltas em densa camada de nuvens. Embalados ao som dos “Biscateiros e gritos distantes de bandos de araras vislumbra-se uma paisagem incrível. A aventura na torre dura até às 09:00. Em seguida descemos e o experiente Francisco já nos espera por uma aventura na floresta ou no Rio Cristalino, conforme o dia. Há uma pausa para almoço e descanso das 12:00 até as 15:00 quando a jornada continua. A energia elétrica é restabelecida perto das 12:00. O soar de um sino indica que a Luciana já aprontou mais um suculento almoço;

8- Não tenho como descrever a atenção que recebemos de nossos anjos da guarda Benê, Benedito Freitas e Francisco de Carvalho Souza. Eles fizeram o possível e o impossível para que conseguíssemos observar as lindas aves do local. Vibravam conosco e tornaram-se irmãos ao longo dos cinco dias que lá estivemos. Chegavam a ponto de predizer o galho da árvore que determinada espécie iria pousar. São pessoas incríveis que levarei comigo pelo resto da vida. Saí do Cristalino com mais de 4.000 fotos de cerca de 80 espécies diferentes, algumas bastante raras como o Uirapuru.

9- A visita ao Cristalino foi uma experiência impar que recomendo a todos com um certo espírito de aventura. Mostra como é possível usufruir, conviver e sustentar-se sem degradar a natureza. Fomos embora com a sensação que não vimos tudo e que lá iremos voltar um dia.