Deserto de Atacama e Altiplano

Viajante Cia Eco

Eduardo Alves

Esta foi uma única e grande viagem desenhada pela Cia Eco especialmente para mim, conectando Chile, Bolívia e Peru em um roteiro contínuo e muito bem pensado. A seguir, compartilho um pouco do que vivi em cada país, em relatos independentes que ajudam a traduzir a intensidade e a riqueza dessa jornada.

Parte 1: Chile – San Pedro de Atacama e arredores


Revisitar San Pedro de Atacama era sempre uma opção, naquela época quando fui não havia conseguido ir para Uyni, e sempre acabava colocando em minha lista de opções, mas as outras viagens sempre acabavam vencendo a disputa. 


Bem desta vez seria diferente, acertei para iniciar minha viagem pelo Chile, muito pela aclimatação necessária para as altas altitudes que enfrentaria em minha viagem, afinal estaria saindo de 800m para até 5000m. 
Chegando em San Pedro, fiquei hospedado no Noi Casa Atacama, muito confortável e bem localizado próximo a calle Caracoles com um presente de boas-vindas, vocês sempre são incríveis, obrigado. No dia seguinte sai para explorar e ver como a cidade estava após 19 anos desde a minha última visita, torcendo para que ela não tivesse sido descaracterizada. Para minha surpresa a cidade estava muito próxima do que havia conhecido, apesar do crescimento o Centro continua com as características que a tanto a diferencia, apesar de ainda guardar com muito carinho aquelas pessoas e o pequeno povoado original sem muitos hotéis e diversas pousadas que era incrível, mas muitas coisas sempre acabam se perdendo com o tempo. Quando estava em minha conexão em Santiago a operadora me contatou e sugeriu a troca de ordem dos passeios para melhorar a minha aclimatação a altitude o que concordei e achei muito.


A tarde sai para minha primeira exploração, as Lagunas Escondidas de Baltinache, no horário programado eles me recolheram no Hotel e seguimos para a aventura. Uma grande surpresa é toda a comunicação por Whatsapp, você consegue acompanhar tudo em tempo real, sem dúvidas e tirando qualquer chance de desentendimentos. As Lagunas ficam na Cordilheira de Sal, o acesso é relativamente novo, menos de 5 anos e a beleza do local vale a visita. São 7 lagunas com águas cristalinas com uma linda cor azul e um teor de sal extremo contrastando com o branco dos depósitos salinos e toda a aridez do deserto. Ao fundo, como sempre vistas estonteantes de vulcões, da cordilheira Domeyko e cordilheira de Sal.


No segundo dia segui para o clássico passeio para o Valle de la Luna, quando vim ao Atacama a 19 anos atras fiz o Valle de la Muerte e o Valle de la Luna, naquela época o passeio era um pouco diferente, como conversei com a guia, hoje vejo um cuidado maior com a preservação do local com áreas demarcadas para que você possa transitar, isto é muito importante, porque não basta visitarmos, temos que garantir que o ambiente continue igual para as próximas gerações. Hoje você não pode mais pisar na grande duna e em outros locais, acho super válido, apesar de bater aquela nostalgia, mas fico feliz da preocupação de preservar o ambiente. O Valle fica na Cordilheira Domeyko a 2500m e é de uma beleza incrível. Desertos são ambientes muito sensíveis, apesar de aparentarem o contrário. Lembro de uma cena quando visitei o Nabib, um turista conversando enquanto pisava sobre uma pequena planta que demora centenas de anos para chegar naquele estado. Revoltante isto, bem como bichos pau com pernas quebradas pelo descuidado das pessoas ao passar pela trilha. A tarde finaliza em um mirante para ver o pôr do sol no deserto, tingindo as rochas castigadas pela seca de tons avermelhados. A noite fui fazer o passeio Astronômico, o céu do Atacama marcou minha vida, jamais esqueci daquela noite fria de um inverno congelante com o céu mais lindo que vi em minha vida, em segundo lugar fica o Céu de Andasibe, em Madagascar na minha caminhada noturna pela floresta, ao chegar em uma clareira lembro daquele céu maravilhoso. Voltando ao passeio, é feita uma explicação do céu enquanto você fica ao ar livre nas frias noites do Atacama podendo ver as constelações e apreciando uma beleza que infelizmente não damos valor no nosso dia a dia. Voltando a minha nostalgia, nada ainda supera aquele passeio que fiz no passado, talvez pela rusticidade do local, era uma localização erma no meio do deserto onde um Astrônomo francês morava e onde tinha muitos telescópios Cassegrain, verdadeiramente épico e memorável e como pelo impacto da primeira vez de ter visto algo tão maravilhoso que sempre me fazem lembrar de Carl Sagan, e bem, era inverno, e o céu é sempre muito mais lindo no inverno. Mas o passeio vale a pena sim, nunca se pode desprezar um céu estrelado como poucas vezes se pode ver nesta nossa vida moderna. Ao final ele tira fotos de alta exposição e depois nos envia onde é possível guardar uma recordação. Muito legal.


Outro passeio que fiz, foi a visita do Salar de Atacama, com seus reflexos do céu azul do deserto, Flamingos e outras muitas aves em uma paisagem deslumbrante e as Lagunas Altiplanicas e Piedras Rojas, realmente lindo. Adoro o silencio ao estar em grandes altitudes, 4200 m, por isto é importante ir se aclimatizando, você escuta apenas o vento, as rochas vermelhas contrastam com aquele maravilhoso céu azul, as montanhas e vulcões nevados ao fundo com uma areia branca e uma água azul celeste. Estas surpresas dos desertos são sempre um presente, e o Atacama é o neste quesito. As lagunas Miscanti e Miñiques continuam lindas, a diferença na cor, porque quanto as visitei no passado estavam congeladas, criam uma outra bonita imagem para ser guardada. Aqui se findava minha rápida passagem pelo Atacama para me aclimatar e reviver tão boas lembranças.

 

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