Salar de Uyuni e Altiplano

Viajante Cia Eco

Eduardo Alves

Esta foi uma única e grande viagem desenhada pela Cia Eco especialmente para mim, conectando Chile, Bolívia e Peru em um roteiro contínuo e muito bem pensado. A seguir, compartilho um pouco do que vivi em cada país, em relatos independentes que ajudam a traduzir a intensidade e a riqueza dessa jornada.

Parte 3: Bolívia – Altiplano, Uyuni, Potosí e Sucre

 

No dia seguinte era hora de partir para a Bolívia, após 19 anos de espera havia chegado a hora. No horário combinado meu transfer chegou e parti para Hito Cajón, a estrada segue em direção ao Licancabur (5920 m), vale aqui uma pequena pausa para esta lenda que adoro muito, Licancabur significa “Povo da Montanha”, este vulcão era considerado um Deus pelos antigos povos do Atacama (Likan-antai), existe até um passeio arqueológico para quem tiver interesse, as casas de adobe deles tinhas as portas direcionadas ao vulcão que os protegia. Na lenda o Vulcão Licancabur se apaixona pela Montanha Domeyko (4278 m) e seu irmão o Vulcão Lascar (5592 m) com ciúmes tentar conquistar Domeyko. Os dois se desentendem e ao brigarem Licancabur acaba cortando a cabeça de Lascar por engano, por isto quando você vê Licancabur é um vulcão bonito e perfeito e Lascar não tem seu domo. No solstício de verão o sol se põe precisamente onde dependendo do ângulo de visão a sombra de Domeyko e Licancabur se tocam como se estivessem se beijando e declarando o seu amor. Adoro estas analogias e quando você visita vulcões acaba entendendo a facinação destes povos por estas montanhas vivas.


A estrada tem uma bonita vista do vale no Altiplano onde está San Pedro passando bem perto dos vulcões irmãos Licancabur e Juriques (5484 m), acho que ele cortou a cabeça deste irmão também porque ele está sem o domo, rs. Estes vulcões fazem a fronteira entre Bolívia, Chile e próximo da Argentina também.


Após os transmites alfandegários estava na Bolívia. Lá fui recebido pelo meu guia e motorista. Logo ao cruzar a fronteira, estou na Reserva Nacional de Fauna Andina Eduardo Abaroa, o Altiplano Boliviano é bem diferente do Atacama, muito mais elevado e com uma beleza incrível. Poucos metros a frente se vê a Laguna Blanca (4350 m), uma enorme laguna com águas esbranquiçadas que refletem o céu como um grande espelho, ao fundo inúmeros vulcões nevados e aquele silencio majestoso, com muitas aves se alimentando, um verdadeiro oásis, a esquerda a vista dos dois vulcões guardiões destas belezas, andando mais um pouco chegamos a Laguna Verde (4300 m) um pouco mais baixa e alimentada pela Laguna Blanca ela fica aos pés do Vulcão Licancabur considerado o rei dos vulcões dos Andes, suas águas tem um lindo verde esmeralda, mas sua cor engana, ela é altamente tóxica cheia de arsênico, magnésio e carbonato de cálcio, um lembrete de qual extremo é este ambiente apesar de sua enorme beleza. Mais uma curiosidade sobre o Licancabur, em sua cratera, existe um lago de 60 metros de profundidade de águas límpidas e um pouco salgadas, um dos mais altos do mundo, onde são encontrados peixes e já foram encontrados vestígios de rituais incas. Seguindo viagem pelo grande vale cercado de vulcões é possível se avistar Vicunhas e vistas deslumbrantes. Ao chegar em Águas Termais de Polques (4400 m), almoçamos com uma linda vista para a Laguna Salada e bem al fundo o Salar de Chalviri. Após o almoço seguindo para os Gêiseres Sol de la Mañana (4950 m), um campo geotérmico na cratera de um vulcão com inúmeros gêiseres de lama quente (aproximadamente 200 ºC), a paisagem é linda, parecendo um outro planeta, o forte cheiro e vapores de enxofre e o borbulhar das poças de lama quente dão ainda mais clima ao lugar. O límpido céu azul escuro contrastando com as cores emoldura tudo com uma beleza distinta que impressiona. Continuando seguindo viagem chego na laguna colorada, o forte vento gélido que toca a pele e a visão das águas vermelhas onde muitos flamingos se alimentam com várias lhamas e alpacas cria um ambiente surreal. A beleza é estonteante, incrível em tão pouco tempo poder encontrar paisagens tão belas quanto diversas. E a viagem continua, seguindo para o deserto de Silioli as paisagens vão se alterando uma mais bela que a outra, formações rochosas, vulcões, vales etc. no final do dia chego a Ojos de Perdiz onde iria pernoitar, o Hotel Tayka é uma parada estratégica a 4530 m, por mais ambientado que você esteja é possível sentir um pouco de dor de cabeça e enjoo, a grande mudança de altitudes sempre cobra um preço, a 5000 m você tem apenas 50% do oxigênio do nível do mar, então seu corpo sempre acaba sentindo um pouco.
Dia seguinte, hora de seguir caminho para Colchani em Uyuni, passando por muitas lindas lagunas com muitos pássaros entre eles flamingos e gaivotas andinas, paisagens deslumbrantes, Valle de las Rocas, se você tiver sorte pode ver as Viscachas e outros pequenos roedores. Uma parada estratégica no simpático povoado de Culpina para almoçar e seguindo para Colchani e o famoso cemitério de Trens de Uyuni. Um verdadeiro clássico da Bolívia, para depois chegar e me hospedar no Palácio de Sal, um hotel onde tudo é feito de sal, inclusive as paredes.


O esperado dia chegou, a visita a Uyuni (3656 m), após vários anos finalmente eu iria conhecer o maior salar do mundo. É difícil você colocar em palavras, a superfície branca lembra muito a neve, mas as semelhanças acabam aí, o estalar dos cristais de sal ao andar e o silencio, muitas vezes você fica completamente só, é uma beleza estonteante. È incrível como eles conseguem se localizar, tanto no deserto quanto aqui no salar, sem grandes referencias, conhecer bem o local faz toda a diferença, as ilhas o meio do salar são um verdadeiro Oásis, onde a vida prospera, inúmeros pássaros, viscachas, cactos centenários e milenários e como sempre uma vista incrível a grandiosidade das paisagens impressionam e nos fazem curtir cada segundo, Para finalizar o dia eles me levaram em uma parte onde a agua do último período de chuvas não chegou a secar. Com a água a paisagem muda completamente, o espelho d´água reflete o céu, as montanhas e os últimos raios de sol criando mais uma de suas magníficas obras de arte. 


Ao amanhecer segui rumo a Potosi (4000 m), cidade colonial que foi e ainda á muito importante tendo até hoje a maior mina de prata do mundo. Nestes mais de 400 anos de exploração a montanha já diminuiu 400 metros de altura. A cidade de um pouco mais de 200 mil habitantes possui vários prédios coloniais em seu centro histórico, tem até um charme, com grandes ladeiras e um pouco de caos urbano, com a grande altitude a maioria dos espanhóis preferiam morar em Sucre, mais baixo que não causava tanto desconforto quando a grande altitude da cidade.


Bem, imprevistos sempre podem acontecer, mas o bom acompanhamento da Cia Eco e dos operadores locais podem fazer com que eles não se tornem dores de cabeça na sua viagem. Neste dia, a cia aérea cancelou meu voo de Sucre pata La Paz e o país estava vivendo um caos com a falta de combustível, com filas intermináveis que dificultavam muito a locomoção, mas daqui do Brasil a Cia Eco, arrumou outro voo e os operadores acertaram tudo o que era possível para minimizar o impacto em minha viagem. Durante este meio tempo acertaram para eu visitar a Casa da Moeda, um lindo prédio histórico com uma rica história, onde explicavam onde e como eram feitas as moedas com a tecnologia da época. Mais tarde, após conseguirem combustível segui para Sucre, aonde cheguei à noite no lindo Hotel Parador Santa Maria la Real.


Sucre é uma cidade encantadora, logo de manhã sai para minha vista guiada, andando pelas ruas coloniais, muitas com grandes semelhanças nas cidades portuguesas coloniais brasileiras, uma das grandes diferenças em relação a Potosi é que praticamente todo o casario é branco e muito bem preservado, em Potosi se vê mais cores e a conservação não é das melhores as vezes tendo um ar um pouco mais decadente o que não tira a beleza de seus prédios. Já em sucre a preservação está em todos os detalhes. Sucre rivaliza com La Paz como a capital do poder, seus prédios históricos contam em uma riqueza de detalhes muito daquilo que ocorreu até nossos tempos atuais. O meu guia era grande conhecedor de história, então conversamos muito sobre a história colonial de nossos países, diferenças, semelhanças, os tratados territoriais etc. foi bem legal e prazeroso, uma viagem no tempo com muitos detalhes enquanto explorava esta cidade magnifica. Também fui visitar um centro de votação, estava ocorrendo o segundo turno das eleições presidenciais.  As Praças são cheias de pessoas desfrutando do ambiente com muita segurança, uma coisa que sinto muita falta no Brasil hoje em dia.


No dia seguinte, peguei meu transfer para o aeroporto para ir para La Paz, mas por causa da troca de voos teria de fazer uma conexão em Cochabamba, assim perdi a oportunidade de visitar alguns lugares, devido a não haver voos no dia anterior já havia perdido a oportunidade de visitar a Isla de la Luna, com todas estas alterações emergenciais, acabei perdendo a Isla del Sol e Copacabana no Titicaca. Tudo bem são coisas que acontecem. Combinei por telefone com a operadora local de visitar um sítio arqueológico no caminho de Puno. Voltando ao meu relato, cheguei em La Paz e fui recebido pelo operador local, fiz uma visita rápida pela cidade pegando o teleférico que corta a cidade vendo alguns pontos e lugares interessantes e parti para o Peru, parando no caminho em Tiwanaku, um sítio arqueológico que ainda está sendo escavado com algumas impressionantes construções que é possível ver toda a técnica inca no corte das pedras. Depois segui caminho até Desaguadero, divisa com o Peru, no caminho você tem uma bela vista do Titicaca e Montanhas nevadas.

 

Clique abaixo e continue a viagem.


👉 Volte para o Chile – San Pedro de Atacama


👉 Siga para o Peru – Lago Titicaca, Cusco e Machu Picchu